segunda-feira, 26 de abril de 2010

O Alfinete e a Agulha (2009) The pin and the needle



O Alfinete disse à Agulha
"Vou picar essa borbulha
tão vermelha, empoleirada
na ferida maltratada...
Cumprir já com a missão
sagrada da Medicina
ao doente dar a mão
(ajudar é minha sina)
não ficar sem fazer nada
só espetado na almofada
e não me tentes demover
pois a tratar quero morrer..."
Respondeu a velha Agulha
com a calma de uma Mãe
que já muitos filhos tem
"Alfinete, não sejas tolo
olha que a borbulha
é só uma cereja no bolo!!!"

Mizangala

domingo, 18 de abril de 2010

O caranguejo (2009) The crab



Da rocha, mergulho
No Mar, me embrulho
e aqui vos conto
ponto por ponto
o que oiço e vejo...
Caranguejo
sussurrando pensativo
(para isso tem motivo)
às costas de uma baleia
que sempre lhe dá boleia...
"Troçam por apenas ser capaz
de andar devagar
e para trás...
Porém, neste Mundo violento
apressado e desatento
de futuro comprometido
rumando no mau sentido
virado às avessas
vos digo, cantando ao luar...
melhor é andar sem pressas
e fazê-lo a recuar..."

Mizangala

domingo, 11 de abril de 2010

Caracol em espiral - Spiral snail



Solidão de monge
sem parar... mas devagar
pois assim se vai ao longe...
Casca em espiral
imune ao temporal
ao calor infernal...
Sorri, cumprimenta o Sol
o irmão Caracol...

Mizangala

domingo, 4 de abril de 2010

Lar - Home


É lar colmeia
ou formigueiro?
Ninho na árvore
ou mar inteiro?
É lar casa quente
sem aquecedor?
Casulo de seda
vaso de barro
com uma flor?
Colo de pai
barriga de mãe?
Livro guardando
os poemas de alguém?

Teresa Martinho Marques

segunda-feira, 29 de março de 2010

Tempo de amizades - Time of friendship



Com a aproximação do mês de Agosto, agitava-se a vida lá em casa. Todos preparavam as férias com entusiasmo. As crianças idealizavam, há tempo já, as primeiras brincadeiras de Verão na praia, com a areia e os banhos. Tinham saudades daquele mar quase sempre «indisposto», mas belo.

O senhor João vinha buscá-los cedo no primeiro dia de Agosto, para os levar no seu táxi. A bagagem acumulava-se no átrio. A mãe preparava as roupas e... tudo o mais, enquanto o pai dava sugestões no meio daquela azáfama. Para os pequenitos, o mais importante era não esquecer o saco com os baldes, as pás, as formas, as bolas e os livros.

Foi assim durante anos. Na pensão onde se acolhiam, a D. Conceição recebia os hóspedes com grande afabilidade. Que boa comida fazia o velho cozinheiro (ai, aquelas conchas recheadas!). O seu grande chapéu branco espantava e divertia os mais pequenos. Após o jantar, enquanto o sol se escondia, as crianças organizavam ainda, apesar do cansaço, os últimos jogos e correrias. Os pais cavaqueavam na varanda ou na sala de entrada. junto ao velho piano. Televisão não havia, felizmente. Tempo bom de lazer! Recolhiam cedo. «Quem acordar primeiro, chama os outros, combinado?» - cochichavam os miúdos.

As brincadeiras com as caricas, as lutas com as almofadas ao fim do dia, a caça aos peixinhos junto às rochas (que eram devolvidos ao mar, diga-se), tudo pertence ao passado. Eles e os amigos cresceram e foram-se dispersando.

Mas os pais voltam sempre que podem, à praia. De quando em quando juntam-se aos filhos e os amigos de todos aparecem também. O reencontro é sempre motivo de alegria.

Esses foram, sem dúvida, tempos bonitos de amizade.


Maria da Piedade Pinheiro

Março 1990


segunda-feira, 22 de março de 2010

O Telemóvel moderno - The modern Cellphone


O Telemóvel moderno
treme no Verão e Inverno...
Se o molhas, não sintas mágoa
pois é todo à prova de água...
Se te cai, não fiques triste
(a qualquer choque resiste)...
Apita, ladra, buzina,
zurra, canta melodias,
e ouvir pois, é nossa sina
nas tardes, noites e dias
os seus ecos radiofónicos
e mil toques polifónicos...
Sabias, que tira fotografias?
Que se liga à Internet?
Que em qualquer bolso se mete?
Que tem rádio-despertador?
Capas de qualquer cor?
Dá horas e temperatura?
Profundidade e altura?
Televisão, calculadora?
GPS e impressora?
Computador, gravador?
A data, a rede e bateria (quem diria...)
Máquina de filmar?
Lanterna para alumiar?...
Mas olha... uma só coisa te peço
(vamos ver se não me esqueço)...
com tanto para experimentar
lembra-te de telefonar!!!

Mizangala

segunda-feira, 15 de março de 2010

O Anel - The Ring


Trocámos esperanças e Alianças
em dia de Casamento
e a Princesa prometida
pôs-me o Anel num momento
para lá ficar toda a vida...
Foi o primeiro que usei...
Sufoca o dedo? (Não achei)
Faz alergia? (Não me parecia)
É pesado? (Não me sinto cansado)
Finalmente...
É opulento, faustoso?
Não, discreto mas sempre presente...
com ele e com a Noiva estou muito contente...

Mizangala