O burro do Moleiro trabalha o dia inteiro... O burro do moleiro não vai em lérias não faz férias... O burro do Moleiro vem do moinho subindo, descendo encostas derreado, cansadinho com a saca de farinha às costas... Já o pai, Moleiro e burro também não pedia ajuda a ninguém... Porque é que o burro do Moleiro que trabalha o dia inteiro e é casmurro não compra um Burro?...
O Tapete persa, não nos via pois estava, é claro, deitado por duas barras esticado no cimo da escadaria... Pantufas, chinelos botas e sapatos ténis amarelos galochas, socas e até cães e gatos saídos das tocas gostam de ali passar para nele se esfregar... O Tapete, não se queixa porque não quer (e ninguém deixa) tranquilo, em paz e sossego no soalho do emprego... Corpo forte em mente sã sem ira nem amargura e pelas três da manhã a situação muda então de figura... Solta as barras corta as amarras toma balanço e sem pausa, sem descanso ondula no corredor liga o turbo-reactor saindo pela janela como "Tapete-voador" direito ao quintal da avó Graziela e do tio Amaral... Acreditem, se quiserem compreendam se puderem porque até às seis da matina ninguém o pisa ou urina voando sim, empenhado léguas sobre léguas combatendo sim (sem dar tréguas) vilões o crime organizado patifes e outros ladrões vígaros e proscritos estndendo a mão aos aflitos praticando o bem dando, a quem menos tem.. Grato foi o prazer de o conhecer de saber que está por perto que faz sempre o que acha certo e que o jovem Tapete persa a quem a verdade não mói nem a consciência dói à noite não vai na conversa... transforma-se em Super-herói!!!...
Não há ninguém que não meta o que presta e o que não presta na barriga da Gaveta (coisa que ela detesta)... Só cuecas e peúgas (nem fadas, nem tartarugas)... Lenços, panos, gravatas (não tesouros de piratas)... Aspirinas, cintos de couro (e não mapas de tesouro)... Roupa, até não caber mais (nunca naves espaciais)... Contudo, sempre renova a esperança quando as mãos de uma criança a abrem, como que a medo procurando o seu segredo de olhos brotando ternura sequiosos de aventura...
As Moscas são feias, mas não são toscas... Voam a direito (se lhes dá jeito e veêm algo que lhes faça proveito) ou fazem espiras e roscas vêm, vão, tornam a vir se nos querem confundir... Para que servem as Moscas feias, peludas, mas não toscas? Crendo não ter a certeza pergunto à Mãe Natureza se não foi engano seu ou interroga o Criador todo o que não é ateu se a Mosca fez com amor e ao Mundo a deu com gosto ou a coisa correu mal e nesse dia, afinal estava triste ou mal disposto?... Seja qual for a resposta duma Mosca, ninguém gosta... Quem fez as Moscas não as fez toscas e, pensando no caso a frio não as fez ao arrepio das regras e do bom senso por isso, segundo penso vos digo de forma sentida (sem querer armar em esperto...) "Damos mais valor à vida quando elas não estão por perto"...
A Casa de Pedra, tem alma e coração por isso, não é simples construção nem tão pouco monumento ou casa de habitação... Foi inspiração de um momento algo de bom e bonito uma flor toda em granito...
Li algures uma frase com o seguinte significado: o conhecimento é o que fica depois de se esquecer tudo. Numa primeira leitura, poderia ser-se levado a pensar que, esquecendo tudo, nenhum conhecimento ficaria... Visivelmente, porém, não é esta a conclusão a tirar. Na verdade, da vivência pessoal de cada um, não se esquece aquilo a que alguma vez se aderiu completamente, ou seja, aquilo que se interiorizou em nós a ponto de passar a fazer parte integrante do nosso conhecimento.
Admitamos que se pergunta a alguém: Ainda sabe andar de bicicleta? ou O açúcar tem um sabor ácido, amargo ou doce? ou ainda Normalmente, em que época do ano faz mais frio em Portugal? Ninguém duvida que as respostas a tais perguntas serão dadas correctamente e sem hesitação. Suponhamos agora que se interroga um jovem estudante do ensino secundário, por exemplo, sobre questões relacionadas com matérias já versadas nas aulas. Nesta situação, como é óbvio, não se pode afirmar antecipadamente se as respostas serão correctas ou erradas. Isso dependerá da conjugação de vários factores intervenientes no processo de aprendizagem das matérias, de que se salientam aqui a capacidade dos professores e os meios laboratoriais e audiovisuais postos ao serviço do ensino.
Vem isto a propósito da minha passagem pelo Colégio Padre Fernando Eduardo Pereira – Outubro de 1949 a Julho de 1951 – e do conhecimento que me ficou desses dois anos lectivos, depois de esquecer tudo... De todas as disciplinas poderia recordar episódios ou aspectos que influenciaram positivamente a minha actividade escolar subsequente. Citarei apenas um caso. Talvez levemente desfocado, porque esbatido pelo tempo. Mas autêntico.
Aulas de Ciências Naturais em manhã de sol. Foi até necessário fechar a janela para realizar a demonstração, que a claridade era excessiva na sala. Da vitrina de um móvel, onde era guardado o pouco material didáctico que havia no colégio, saiu um aparelho que de há muito despertava a nossa curiosidade. Preparado o equipamento em cima da secretária da professora, a Dra. Carlota Serra, todos nos colocámos à sua volta, atentos. A Terra era um pequeno globo, a Lua era uma esfera de cortiça espetada na extremidade de um arame encurvado, o Sol era uma vela reflectindo-se num espelho tosco. Accionadas por meio de uma manivela, as engrenagens, um tanto enferrujadas, entraram em funcionamento. A Terra começou a rodar em torno do seu eixo, a Lua iniciou o movimento de translação à volta da Terra, enquanto o Sol, bruxuleante, desempenhava a contento a missão. Eu e os meus colegas agitávamo-nos, interessados. Vieram as perguntas e as explicações, repetiu-se a demonstração. Como diria Sebastião da Gama: aconteceu uma aula! E, em meia hora, fiquei a compreender completa e definitivamente como se sucedem os dias e as noites, como se explicam as fases da Lua, como se dão os eclipses da Lua e do Sol. Dera o primeiro passo no conhecimento dos mistérios da “máquina universal”.
Foi desde então, creio, que passei a olhar a Natureza com tranquilidade.
Bem hajas, Eduardo Martinho, pela ideia desta nova aventura conjunta, pela edição de fotografia e tratamento de imagem e por todo o trabalho, carinho e paciência. Bem hajas, Mãe Piedade, por seres quem és e estares sempre presente em todos os momentos. Bem hajas, mana Teresa, pela orientação dada e por todas as cores que dás a tantas palavras... Bem hajam, Filomena e Bruno, por todos os mimos e apoio. Bem hajam os amigos, autores dos textos, que me permitem viajar ao mundo das Palavras e das Cores... Bem hajas, Arco-íris, que me ensinaste as Cores...
Pinturas
Mizangala
Fotografia
Paulo Martinho
Tratamento de Fotografia e Edição de Imagem
Eduardo Martinho
Aviso à navegação
A cor da palavra "Mizangala", num dialecto de certa tribo africana, significa "eternamente jovem"...