domingo, 3 de outubro de 2010

O burro do Moleiro - Damn miller



O burro do Moleiro
trabalha o dia inteiro...
O burro do moleiro
não vai em lérias
não faz férias...
O burro do Moleiro
vem do moinho
subindo, descendo encostas
derreado, cansadinho
com a saca de farinha às costas...
Já o pai, Moleiro e burro também
não pedia ajuda a ninguém...
Porque é que o burro do Moleiro
que trabalha o dia inteiro
e é casmurro
não compra um Burro?...

Mizangala

domingo, 26 de setembro de 2010

O Tapete persa - The persian Carpet



O Tapete persa, não nos via
pois estava, é claro, deitado
por duas barras esticado
no cimo da escadaria...
Pantufas, chinelos
botas e sapatos
ténis amarelos
galochas, socas
e até cães e gatos
saídos das tocas
gostam de ali passar
para nele se esfregar...
O Tapete, não se queixa
porque não quer (e ninguém deixa)
tranquilo, em paz e sossego
no soalho do emprego...
Corpo forte em mente sã
sem ira nem amargura
e pelas três da manhã
a situação
muda então
de figura...
Solta as barras
corta as amarras
toma balanço
e sem pausa, sem descanso
ondula no corredor
liga o turbo-reactor
saindo pela janela
como "Tapete-voador"
direito ao quintal
da avó Graziela
e do tio Amaral...
Acreditem, se quiserem
compreendam se puderem
porque até às seis da matina
ninguém o pisa ou urina
voando sim, empenhado
léguas sobre léguas
combatendo sim (sem dar tréguas)
vilões
o crime organizado
patifes e outros ladrões
vígaros e proscritos
estndendo a mão aos aflitos
praticando o bem
dando, a quem menos tem..
Grato foi o prazer
de o conhecer
de saber
que está por perto
que faz sempre o que acha certo
e que o jovem Tapete persa
a quem a verdade não mói
nem a consciência dói
à noite não vai na conversa...
transforma-se em Super-herói!!!...

Mizangala

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A Gaveta - The Drawer




Não há ninguém que não meta
o que presta e o que não presta
na barriga da Gaveta
(coisa que ela detesta)...
Só cuecas e peúgas
(nem fadas, nem tartarugas)...
Lenços, panos, gravatas
(não tesouros de piratas)...
Aspirinas, cintos de couro
(e não mapas de tesouro)...
Roupa, até não caber mais
(nunca naves espaciais)...
Contudo, sempre renova a esperança
quando as mãos de uma criança
a abrem, como que a medo
procurando o seu segredo
de olhos brotando ternura
sequiosos de aventura...

Mizangala

terça-feira, 14 de setembro de 2010

As Moscas - The Flies



As Moscas
são feias, mas não são toscas...
Voam a direito
(se lhes dá jeito
e veêm algo que lhes faça proveito)
ou fazem espiras e roscas
vêm, vão, tornam a vir
se nos querem confundir...
Para que servem as Moscas
feias, peludas, mas não toscas?
Crendo não ter a certeza
pergunto à Mãe Natureza
se não foi engano seu
ou interroga o Criador
todo o que não é ateu
se a Mosca fez com amor
e ao Mundo a deu com gosto
ou a coisa correu mal
e nesse dia, afinal
estava triste ou mal disposto?...
Seja qual for a resposta
duma Mosca, ninguém gosta...
Quem fez as Moscas
não as fez toscas
e, pensando no caso a frio
não as fez ao arrepio
das regras e do bom senso
por isso, segundo penso
vos digo de forma sentida
(sem querer armar em esperto...)
"Damos mais valor à vida
quando elas não estão por perto"...

Mizangala

sábado, 4 de setembro de 2010

A Casa de Pedra - The stone house



A Casa de Pedra, tem alma e coração
por isso, não é simples construção
nem tão pouco monumento
ou casa de habitação...
Foi inspiração de um momento
algo de bom e bonito
uma flor toda em granito...

Mizangala

domingo, 29 de agosto de 2010

Nas Ondas do Mar - In the sea's waves


Nas ondas do mar, podes ser peixe
e nadar.

Nas ondas do mar, podes ser espuma
e brincar.

Nas ondas do mar, podes ser barco
e partir.

Nas ondas do mar, podes ser gaivota
e voar.

Nas ondas do mar, podes ser só um sonho
a dormir.

Nas ondas do mar, podes ser canção...

Consegues ouvir?

Teresa Martinho Marques

domingo, 22 de agosto de 2010

Libertação pelo conhecimento - Freed by knowledge


Li algures uma frase com o seguinte significado: o conhecimento é o que fica depois de se esquecer tudo. Numa primeira leitura, poderia ser-se levado a pensar que, esquecendo tudo, nenhum conhe­cimento ficaria... Visivelmente, porém, não é esta a conclusão a tirar. Na verdade, da vivência pessoal de cada um, não se esquece aquilo a que alguma vez se aderiu completamente, ou seja, aquilo que se interiorizou em nós a ponto de passar a fazer parte integrante do nosso conhecimento.

Admitamos que se pergunta a alguém: Ainda sabe andar de bicicleta? ou O açúcar tem um sabor ácido, amargo ou doce? ou ainda Normalmente, em que época do ano faz mais frio em Portugal? Ninguém duvida que as respostas a tais perguntas serão dadas correctamente e sem hesitação. Supo­nhamos agora que se interroga um jovem estudante do ensino secundário, por exemplo, sobre questões relacionadas com matérias já versadas nas aulas. Nesta situação, como é óbvio, não se pode afirmar antecipadamente se as respostas serão correctas ou erradas. Isso dependerá da conjugação de vários factores intervenientes no processo de aprendizagem das matérias, de que se salientam aqui a capaci­dade dos professores e os meios laboratoriais e audiovisuais postos ao serviço do ensino.

Vem isto a propósito da minha passagem pelo Colégio Padre Fernando Eduardo Pereira – Outubro de 1949 a Julho de 1951 – e do conhecimento que me ficou desses dois anos lectivos, depois de esque­cer tudo... De todas as disciplinas poderia recordar episódios ou aspectos que influenciaram positiva­mente a minha actividade escolar subsequente. Citarei apenas um caso. Talvez levemente desfocado, porque esbatido pelo tempo. Mas autêntico.

Aulas de Ciências Naturais em manhã de sol. Foi até necessário fechar a janela para realizar a de­monstração, que a claridade era excessiva na sala. Da vitrina de um móvel, onde era guardado o pouco material didáctico que havia no colégio, saiu um aparelho que de há muito despertava a nossa curiosi­dade. Preparado o equipamento em cima da secretária da professora, a Dra. Carlota Serra, todos nos co­locámos à sua volta, atentos. A Terra era um pequeno globo, a Lua era uma esfera de cortiça espetada na extremidade de um arame encurvado, o Sol era uma vela reflectindo-se num espelho tosco. Accio­nadas por meio de uma manivela, as engrenagens, um tanto enferrujadas, entraram em funcionamento. A Terra começou a rodar em torno do seu eixo, a Lua iniciou o movimento de translação à volta da Terra, enquanto o Sol, bruxuleante, desempenhava a contento a missão. Eu e os meus colegas agitá­vamo-nos, interessados. Vieram as perguntas e as explicações, repetiu-se a demonstração. Como diria Sebastião da Gama: aconteceu uma aula! E, em meia hora, fiquei a compreender completa e definiti­va­mente como se sucedem os dias e as noites, como se explicam as fases da Lua, como se dão os ecli­pses da Lua e do Sol. Dera o primeiro passo no conhecimento dos mistérios da “máquina universal”.

Foi desde então, creio, que passei a olhar a Natureza com tranquilidade.


Eduardo Martinho

Maio.1977